Resumo
A incorporação de tecnologias digitais na Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil avançou de forma acelerada e desigual, com intensificação expressiva especialmente a partir da pandemia de COVID-19. A transformação digital na APS não se limita à adoção de ferramentas tecnológicas; ela redefine processos de trabalho, exige novas competências profissionais e impõe desafios relacionados à acessibilidade, ao letramento digital dos profissionais e da população e à garantia de equidade no acesso.
O arcabouço normativo brasileiro avançou com a instituição do Programa SUS Digital (Portaria GM/MS nº 3.232/2024) e do Decreto Federal nº 12.560/2025, que regulamenta as Plataformas SUS Digital.
A experiência internacional e nacional demonstra que a digitalização pode tanto reduzir quanto ampliar desigualdades, dependendo das escolhas políticas e do desenho institucional adotado. A saúde digital já está transformando a APS, mas essa transformação está ocorrendo sem controle democrático, sem equidade, sem preparo dos trabalhadores e com risco de substituição do cuidado humano e de privatização. Pautar a saúde digital é pautar o futuro do SUS que queremos: público, universal, equitativo, humanizado e sob controle popular.

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